sábado, 14 de abril de 2012

Falar inglês, é problema para os pilotos brasileiros

Provar o conhecimento na língua inglesa tornou-se num problema para os pilotos brasileiros que procuram voar nas rotas internacionais. 

A regra foi criada há cinco anos pela Icao (organização que regula a aviação internacional) para aumentar a segurança dos voos. Em Março de 2009, passou a ser obrigatório no Brasil o piloto provar, por meio de um teste oral, que domina o inglês. 

O exame é aplicado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), em Brasília, e por sete empresas credenciadas em outras capitais. 

Desde 2007, segundo números oficiais da Anac, 8.549 fizeram a prova e 2.197 (25,7%) não estavam habilitados.

Neste ano, em Janeiro e Fevereiro, 78 foram avaliados e 45 não passaram (57,6%).

Um em cada quatro pilotos brasileiros que fizeram as provas de inglês desde 2007 foi reprovado.

O Sindicato Nacional dos Aeronautas critica o nível de exigência da prova brasileira. "Queremos apenas ter a certeza que a nota aqui é a mesma de outros lugares. Que haja um padrão. Como é que um comandante pode ser entendido por avaliadores americanos ou ingleses e não por brasileiros?", diz o presidente do sindicato, Gelson Fochesato. 

Para criar a avaliação no Brasil, a Anac afirma ter contratado um grupo de especialistas em linguística.Segundo a agência, todas essas empresas participaram de um processo de credenciamento e são fiscalizadas. 

Até hoje, 185 profissionais da área recorreram a outros países e conseguiram comprovar a proficiência. 
 
A nota mínima para aprovação no exame de inglês da Anac é quatro. Os aprovados com essa nota precisam refazer o exame a cada três anos. 

A nota cinco corresponde ao nível avançado e exige reavaliação a cada seis anos. A nota seis é a mais alta. Para estes casos é desnecessário passar por outras provas. 

O piloto Geraldo Piquet, 67, voa há 25 anos. Desde que soube da exigência, fez três provas. Foi aprovado com nota 4 na primeira (mínimo exigido) e quando ela expirou, no ano passado, tentou prestar o exame mais uma vez. "Não passei, por isso estou tentando este ano outra vez." 

"Eles são muito exigentes. Além do nosso nervosismo, eles usam uma gravação de situação hipotética de pane que nos apanha de surpresa. No avião, estamos a controlar situação, e  sabemos logo qual é o problema." 
 
Fonte: FolhaSP/do IFR ONLINE

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