domingo, 13 de março de 2011

O "poiso" mais polémico da aviação mundial

Na noite de 6 de Junho de 1983, a tripulação de um cargueiro espanhol de pequeno porte, o Alraigo, apanhou um valente susto com um caça da Marinha Real Britânica, a tentar aterrar, mesmo em cima das suas cabeças, no exíguo espaço, atulhado de mercadorias, no convés do seu navio.

O piloto, quando verificou que estava a ficar sem combustível, e não tendo no seu horizonte, mais nenhum espaço para pousar o seu Sea Harrier ZA176, tentou uma manobra, no mínimo desesperada, para não ter que molhar os pés, e ficar sem o caça.

A cena durou apenas 30 segundos e entrou para a história como o primeiro "poiso" de um caça militar num navio civil, no mar. Poucos dias depois, o caça e o seu piloto, Tenente Ian Watson, chegariam a Tenerife aonde ficou retido pela tripulação durante vários dias.

Esta é a história do evento que quase desencadeou um conflito diplomático:

Eram 11 horas da segunda-feira e o cargueiro canário Alraigo navegava a cerca de 120 milhas náuticas a sudoeste do Porto (Portugal).

No céu, o piloto Ian Watson, voava na área com o seu FRS1/FA2-ZA176 Sea Harrier em vôo de reconhecimento.

O sub tenente Watson tinha descolado do porta-aviões HMS Illustrious e após vários minutos no ar, descobriu que o equipamento de navegação/rádio,não funcionava e não tinha maneira de encontrar o caminho de volta ao seu porta aviões. Depois de o tentar localizar visualmente verificou que o seu depósito de combustível estava no fim, muito próximo do vazio.

Watson, começou desesperadamente, a procuar um espaço, em pleno Atlântico, aonde pudesse poisar o seu avião. Foi então que avistou o cargueiro Alraigo, e não hesitou. Fez a manobra para poisar, na vertical, no único espaço acima das vagas oceânicas, em milhas ao redor.

Os marinheiros do Alraigo não podiam acreditar no que estavam a presenciar.
Watson após a manobra, deixando o cockpiet do seu caça, empoleirado entre contentores e carrinhas, inspeccionou a sua nave, e verificando que estava tudo em ordem apresentou-se aos estupfactos e ainda amedrontados marinheiros do Alraigo.

No entanto, o comandante do navio, nada dado aos "salameleques" britânicos, foi logo adiantando que tinha de cumprir os seus horários, e mandou todos os seus tripulantes ocuparem os respectivos lugares, e desempenharem as suas tarefas, que levariam o navio até Tenerife, aonde teria que entregar sua carga, a horas.

A notícia de que um dos seus caças estava "estacionado" num cargueiro civil Espanhol chegou ao HMS Illustrious que de imediato,começou a enviar sinais de radio com a intenção de desviar o 'Alraigo' para Portugal. Mas o capitão não estava disposto a ir em conversas. O seu destino era Tenarife, e era para lá que ia navegar.

Naturalmente, os media mundiais, tomaram conhecimento do incidente, e, sobretudo os tablóides britânicos, mais dados á exploração do sensacionalismo do caso, noticiaram que o caça e o piloto estariam prisioneiros de um qualquer capitão espanhol, a bordo de um cargueiro, o que á partida, geraria no mínimo um grave incidente diplomático, entre a Espanha e Inglaterra.

Três dias depois, ao meio-dia de quinta-feira 09 de Junho, o Alraigo entrou no porto de Tenerife, na presença de centenas de espectadores, com um caça no seu manifesto de carga, que era quase tão grande quanto o navio.

Nos dias seguintes, o governo britânico, desenvolveu esforços, no sentido de recuperar o seu caça, e prometeu recompensar a tripulação do Alraigo pelos riscos enfrentados .

Na verdade, e embora a manobra tenha considerada heróica, foi sobretudo uma séria ameaça á integridade, não só do navio, mas sobretudo para os homens de Alraigo.
O excesso de peso que o avião provocou ao poisar no convés poderia ter alterado os centros de gravidade e fazer o navio afundar, para não mencionar os danos que poderiam ter causado o calor e a turbulência dos motores.

O Governador Civil de Santa Cruz de Tenerife ordenou então, o desembarque do avião sob a ameaça de uso da força, caso houvesse alguém que se opusesse á operação.
Em 15 de Junho, às 15:10 horas, uma grua, elevou o avião, retirando-o do Alriago e colocou sobre o convés do porta aviões britânico, já ancorado, ao lado do cargueiro.

Segundo alguns meios de comunicação, como El Pais a tripulação iria receber cerca de 3,6 milhões de pesetas, como recompensa pelo resgate, uma bela recompensa para uma das experiências mais surreais que já se viveram no mar

Vejam o video da época.



Fonte: Daniel Tognon

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