sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Prisão para a quadrilha de traficantes,

Eram sete (dois pilotos, dois comissários de bordo e três empresários) e ontem, no Campus de Justiça, Lisboa, ouviram a juíza a determinar-lhes penas entre os três anos e meio e os sete anos e nove meses de prisão efectiva. Curiosamente, coube ao único elemento que estava em liberdade total – um outro estava com pulseira electrónica e os restantes em prisão preventiva –, o empresário José Henriques, a pena mais alta: sete anos e nove meses, por tráfico de droga e posse de arma proibida.

Alguns tinham dívidas de jogo, ligadas ao póquer ou ao jogo da bolha, outros eram consumidores de cocaína e uns estavam dentro do mundo da aviação. Conjugaram esforços e decidiram comprar droga no Brasil e trazê-la de avião para Portugal, onde a vendiam na zona da Grande Lisboa.

O comissário Nuno Teixeira, por seu lado, que estava com pulseira electrónica, após ter sido apanhado em Fevereiro do ano passado a fazer de correio de droga com 4,5 quilos de cocaína – foi detido na Portela quando tentava sair com o cartão de tripulante ao peito – apanhou três anos e meio. Saiu do tribunal na companhia do amigo Ricardo Peres, adjunto de Paulo Bento e treinador de guarda-redes da Selecção Nacional. Devido à colaboração com a investigação, Nuno Teixeira beneficiou de uma atenuação especial da pena, o mesmo acontecendo com Vasco Melo, condenado a cinco anos de prisão.

A piloto Tatiana Azevedo e a assistente Patrícia Santos, que organizaram algumas das viagens e adquiriram a droga no Brasil, apanharam ambas cinco anos e meio de cadeia.

Já o empresário Ricardo Almeida, que foi detido, em Julho do ano passado, a apanhar uma mala na Portela com 14,8 quilos de cocaína, juntamente com Vasco, foi condenado a sete anos e meio. O piloto Jorge Cernadas, que angariou a ‘mula’ Nuno Teixeira, apanhou quatro anos e meio.

Os sete arguidos evidenciaram uma aparente serenidade na altura de ouvirem a sentença ditada pela juíza – que não leu o acórdão na íntegra –, contrastando com a emoção e choro dos muitos familiares que marcaram presença na última sessão do julgamento, que teve início há três meses. Segundo a presidente do colectivo, não ficou provado que os arguidos, apesar de se conhecerem, agiram como um grupo, mas sim em acção conjunta.

A juíza considerou determinantes as confissões de Nuno Teixeira e Vasco Melo "para determinar a veracidade dos factos" relativamente a este caso. Nuno Teixeira decidiu colaborar desde o momento em que foi interceptado no aeroporto por inspectores da PJ, enquanto Vasco, que se dedicava à venda de automóveis na internet, fê-lo só na fase de inquérito.

Por: João Tavares, no CM

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