segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O ar que respiramos a bordo, poderá vir a ser mais puro.

Desde que a gritaria em torno da gripe suína, ou gripe A, começou, preocupo-me em explicar, a quem costuma voar, que o ar que respiramos nas cabines é filtrado permanentemente, cerca de 70 vezes por hora. Ou seja, a intervalos menores que um minuto há uma renovação, com a troca de 50% por ar fresco, captado externamente, e de 50% do ar filtrado através da queima a 1.000 graus Celsius dentro dos compressores das turbinas. Na etapa seguinte, o volume renovado passa por filtros com as mesmas características que as exigidas para Unidades de Terapia Intensiva destinada a queimados. A mim parecia suficiente, mas agora descobri que não é.

Li no Times que a British Airways acaba de encomendar a uma pequena companhia britânica, a Quest, um equipamento electrónico capaz de ampliar a filtragem a níveis em torno de 99,9% de pureza. O objectivo dessa demanda, segundo a companhia, seria aumentar a protecção de quem viaja e de quem trabalha a bordo contra não só a gripe A, mas contra a presença de bactérias extremamente resistentes e letais como a MRSA (methicillin-resistant Staphylococcus aureus) e a Clostridium difficile. Se alguém pensa que a possibilidade de se deparar com esse tipo de patologia num voo é meio remota, é sempre bom lembrar que lidamos, como passageiros, muitas vezes com companheiros e companheiras de jornada que estão a caminho ou regressando de algum tratamento de saúde mais sério.

O novo sistema desenvolvido pela Quest vale-se do uso de campos eléctricos para destruir e neutralizar qualquer ameaça biológica a bordo que tenha conseguido atravessar o conjunto de filtros. Embora a forma original pareça eficiente, não é raro depararmo-nos com odores de querosene de aviação quando estamos dentro do avião e com ele fechado. Este tipo de poluição é só uma entre algumas detectadas em estudos recentes, e que está associada a eventuais vazamentos e contaminações justamente quando o ar "recirculado" passa por dentro do duto que o conduz através da turbina e depois de volta ao habitáculo. Há registos, por exemplo, de emanações contendo partículas de material plástico em suspensão, nocivo à saúde.

Chamado Air Manager, o equipamento emite uma espécie de “avalanche de eléctrons”, que atinge e destrói a estrutura atómica das bactérias. Para funcionar, necessita de uma quantidade de energia que não compromete o desempenho do avião, já que equivale ao gasto de uma lâmpada pequena comum, em torno de 3,6 watts. Ainda de acordo com o artigo do Times, há hospitais interessados em adoptar o mesmo sistema para os seus centros cirúrgicos.

Para as companhias, a solução parece atraente, tanto pelo aspecto económico como pelo social. Nos testes já realizados, tripulantes declararam que o avião “não cheirava como um avião”.
Esse é um grande indicativo – e que não nos apercebemos por sermos ocupantes eventuais – de que a modernização precisava chegar a esse ponto crucial dos voos, especialmente os de longa distância. Pelo lado exclusivamente financeiro, o Air Manager deve representar uma economia de custos bastante impressionante, uma vez que os actuais filtros são caríssimos – cada um custaria alguns milhares de dólares e há aviões, equipados com até oito, ou dois por turbina – e tem durabilidade limitada.

O que o artigo não comenta, e que vale a pena lembrar aqui, é que há uma característica do sistema de filtragem que nos afecta directamente e que não sei de que forma seria afretada pelo Air Manager.
Normalmente, o ar que recebemos na cabine é sempre muito seco, com uma humidade do ar muito baixa. Se o equipamento é similar a aquele electrodoméstico (Sterilair) que usamos em casa, isso faz com que a humidade do ar se torne mais baixa ainda do que o recomendável.
Autor: marceloambrosio,no JBlogSlot

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