domingo, 16 de agosto de 2009

Acidente aéreo em Évora




O Ministério Público abriu um inquérito ao acidente com um avião bimotor que se despenhou sobre uma zona residencial em Évora provocando a morte dos dois ocupantes. Os corpos de Eddy Resende, 39 anos, e João Silva, de 30, foram autopsiados durante a manhã de ontem. Os resultados das autópsias não foram divulgados.

Também ontem foi iniciada a investigação técnica a cargo do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos (GPIAA), cujo relatório preliminar só será conhecido nas próximas semanas. Para além da peritagem aos destroços do avião, os peritos deste organismo, tutelado pelo Ministério das Obras Públicas, vão analisar toda documentação relativa ao piloto e à aeronave.

Poucos instantes antes de se despenhar, o avião bimotor Beechcraft 99 da empresa SkyDive fez uma primeira tentativa de aterragem no aeródromo da cidade. Prosseguiu para uma nova volta, num voo perigoso a cerca de dez metros do solo.

"A essa altitude, qualquer imprevisto como uma rajada de vento, uma falha de motor ou outra pode provocar uma situação destas", diz o director do aeródromo, Lima Bastos, segundo o qual o piloto do avião e uma das vítimas mortais, Eddy Resende, "violou" um procedimento de segurança ao conduzir o aparelho em direcção às habitações.

O avião terá entrado em emergência a cerca de 9 mil pés de altitude (2900 metros) na sequência da paragem de um dos motores. Uma testemunha assinalou em declarações aos jornalistas que o voo a baixa altitude sobre o aeródromo, nos momentos que antecederam o acidente, foi feito com apenas o motor direito a funcionar.

O director do aeródromo já confirmou a existência desta avaria, que foi comunicada pelo piloto, acrescentando que, "por qualquer outra razão", terá ocorrido uma outra falha no outro motor, o que poderá ajudar a explicar o acidente.

Depois da primeira tentativa de aterragem, Eddy Resende tentou fazer uma "volta apertada", de 180 graus, para aterrar na pista contrária. Trata-se de uma manobra "arriscada", conforme garante um piloto que conhece bem o aeródromo de Évora. Lima Bastos explica que essa manobra, a essa altitude, tem de ser executada "com muita perícia" pois há o risco de uma queda por falta de "sustentação".

Com cerca de cinco toneladas de peso e capacidade para transportar até 20 pessoas, o Beechcraft 99 acabou por embater num prédio e explodiu, causando a morte aos dois ocupantes.

Durante a manhã de ontem, uma equipa do GPIAA esteve no local a analisar os destroços do acidente. O avião chegou a atingir uma das casas do Bairro de Almeirim. Segundo apurou o DN, para além das circunstâncias que envolveram o despenhamento do Beechcraft 99 serão também analisadas as qualificações do piloto e a manutenção do avião.

O bimotor foi comprado em segunda mão, em França por Eddy Resende, proprietário da escola de pára-quedismo SkyDive. Chegou a Portugal há cerca de uma semana. "Parte-se do princípio que viesse em perfeitas condições", assinala o director do aeródromo, Lima Bastos.

"No aeródromo de Évora é proibido virar à esquerda nas descolagens para Norte", garante fonte da Protecção Civil, segundo a qual "os indicadores de que dispomos não permitem concluir que fosse uma avaria técnica a condicionar aquela solução".

Fonte do GPIAA adiantou que conclusões e recomendações técnicas "não têm por objectivo o apuramento de culpas ou a determinação de responsabilidades" mas a "determinação de causas [dos acidentes] e a formulação de recomendações que evitem a sua repetição".

Fonte DN

Sem comentários:

Enviar um comentário