segunda-feira, 13 de julho de 2009

Saidas criativas para ultrapssar a crise. Precisam-se.

A aviação, que movimenta US$ 4 trilhões por ano, ou 7,5% do PIB mundial, está agitada como nunca. Saídas inusitadas e invenções são as principais apostas para a sobrevivência:
Quando lançou a ideia de pedir aos funcionários da companhia que trabalhassem por durante algum tempo, de graça, Willie Walsh, o CEO da British Airways (BA), foi mimando com uma chuva de notícias jocosas, que ridicularizavam esse pedido, em toda a imprensa, não só a especializada em temas ligados á industria da aviação de todo mundo. Mas Willie não estava a brincar, e continua a achar que só uma iniciativa como essa poderia ajudar a BA a estancar a sangria com os sucessivos prejuízos à aviação comercial causados pela crise económica, cujo montante deve bater a casa dos US$ 9 bilhões até o fim do ano, dos quais US$ 3,5 bilhões entre as empresas europeias. A demanda por passageiros cairá 8% e o crescimento das companhias aéreas, depois dos -10% de 2008, provavelmente ficará em -9%, um estado crítico.

– Eu perguntei às pessoas com quem trabalho: vocês querem salvar o negócio? Esse é a única maneira – descreveu Walsh à uma platéia de executivos e jornalistas, reunidos no Sita IT Summit, encontro mundial sobre tecnologia de aviação realizado na semana passada na Riviera Francesa. A iniciativa do presidente levou 70 mil funcionários ao voluntariado, e outros 40 mil, segundo ele, ao trabalho parcial grátis.

– Eu estou entre os que se voluntarizaram – acrescentou o CEO (que ficará sem salário este mês), lembrando que no caso da BA, o colapso financeiro atingiu 78% do seu volume de passageiros, eminentemente executivos de negócios.

Walsh não está sozinho nem no desespero – estamos em “modo de sobrevivência”, afirmou, repetindo um jargão da área usado pelo presidente da International Aviation Transport Association (Iata), Giovanni Bisignani – nem na obsessão por saídas criativas para a redução de custos. A maior parte delas vem exactamente de investimentos em tecnologia de informação. Que também foram cortados – em média 23% – em função da crise e cresceram apenas 1,7% em 2008. É pouco para o tamanho da confusão, segundo a avaliação geral, mas o máximo do sacrifício possível, mantido á custa de muito setresse com os fornecedores.

– Mais de 70% das empresas renegociaram todos os contratos na área de TI – atesta Mark Pilling, analista e editor da Aviation Business, publicação especializada, e apresentador principal do evento.

Ainda assim, as soluções apresentadas já são um alento importante, além de melhorarem, e muito, a vida de quem precisa voar. A automatização do sistema de check in, por exemplo, é um ganho real, tanto quanto a criação de novas fontes de renda com serviços de internet em voo e controles de operações remotas em terra a partir de GPS. Não é à toa, que, 49% de tudo que será aplicado no desenvolvimento tem a ver com o processamento de passageiros. Neste campo, por sinal, a preocupação com o terrorismo já ficou em terceiro plano: na lista de prioridades, ficou com 21% do total investido, atrás ainda dos 34% que serão gastos na simplificação operacional.

– É claro que o melhor caminho é sempre simplificar o processo, este é um mercado que não só está em queda, como em transformação – defendeu um bem-humorado Walsh. – Afinal, o quiosque de check in não fica congelado e nunca está de mau-humor por ter de atender alguém que quer embarcar às quatro horas da madrugada – completa.

De todas as alternativas apresentadas, a mais consolidada diz respeito exactamente à assimilação gradativa da internet e de diversas ferramentas, inclusive as redes sociais, no escalão principal do negócio, como atesta Paul Coby, "chairman" da Sita e director da área de tecnologia da própria British Airways. Coby comentou os resultados de uma pesquisa anual realizada com as 200 maiores empresas de aviação do mundo.

– Ficou patente que todas usam esse canal para vender. A capacidade técnica actual é de 60% e nos próximos três anos deve chegar a 92% – analisa Coby, referindo-se ao volume e a diferenciação de serviços oferecidos pelo web check in.

No relatório final, os representantes das companhias apontaram como a maior dificuldade para a recuperação o facto de terem sido obrigados a cortar em TI para evitar a falência. A saída foi buscar soluções baratas e que se mostraram viáveis.

– A Easyjet (uma das maiores companhias de baixo custo da Europa) gastou apenas US$ 100 mil para criar uma intranet usando uma ferramenta da Microsoft – afirma Henry Hartveld, analista, comentando o uso de aplicações populares.

No menu à disposição das companhias Hartveld destacou o papel do Twitter. Segundo ele, há empresas que usam o miniblog como um canal de atendimento para quem, por exemplo, precisa saber como remarcar um voo perdido.

Por Marcelo Ambrósio, no JB Slot

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