quarta-feira, 29 de julho de 2009

Pitots, continuam a dar motivos para ficarem no banco dos reus

Um novo incidente ligado às sondas Pitot de um avião Airbus A320 da Air France ocorreu em Julho, informaram na quarta-feira um sindicato de pilotos e a empresa.

O Sindicato Nacional de Pilotos de Linha (SNPL) pensa em exigir que a empresa mude de fornecedor das sondas que medem a velocidade.

O incidente ocorreu em 13 de Julho num voo entre Roma e o aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, disse à Reuters Erick Derivry, porta-voz do SNPL, confirmando informação divulgada pelo site Figaro.fr.

As sondas Pitot fabricadas pela empresa Thalès, usadas para medir a velocidade do avião, são uma das causas aventadas para explicar o acidente do voo AF 447, que fazia a rota entre Rio de Janeiro e Paris que causou a morte de 228 pessoas em 31 de Maio.

Trata-se do primeiro incidente do qual se tem conhecimento envolvendo a nova geração de sondas BA, que após o acidente substituiu as sondas AA em toda a frota da empresa, segundo informou a Air France.

"O incidente está ligado às novas sondas. Durou alguns segundos, sem ter qualquer consequência para os passageiros. Uma análise está a seR feita em conjunto com os construtores e o BEA (órgão francês responsável pela investigação de acidentes aéreos)", disse um porta-voz.

Os pilotos do voo Roma-Paris anotaram no seu relatório "uma perda brutal de indicações de velocidade, e depois o desaparecimento dos dados anemométricos."

"Pedimos à Air France que investigue para confirmar se estamos diante do mesmo tipo de incidente, que produziu os mesmos efeitos que outros incidentes conhecidos desde meados de 2008", disse Derivry.

"Seria uma informação nova e importante. Desde já, exigiríamos a substituição das sondas Thalès por sondas Goodrich, em nome do princípio da precaução", acrescentou o pporta voz.

A empresa americana Goodrich fornece 70 por cento das empresas aéreas do mundo, e as suas sondas nunca apresentaram problemas.

"Ouvimos falar na possibilidade de que, além da sonda, talvez seja preciso também trocar o calculador que transforma a pressão em medida de velocidade", acrescentou o porta-voz do SNPL.

Em Junho, sob pressão do sindicato minoritário Alter, a Air France teve que trocar todas as sondas Pitot das suas aeronaves A330 e A340, depois de já ter efectuado a troca nos aviões A320.

Desde 2008 foram constatados vários casos de congelamento de sondas AA em alta altitude, em aviões de diferentes empresas. O SNPL informou que o vôo Roma-Paris ainda se encontrava em alta altitude no momento do incidente.

Para esclarecer os leitores, vai aqui um pouco da historia dos celebres tubos de pitot, num escrito de Antonio Ribeiro, jornalista da Veja, sediado em Paris.

Em 1732, um ano antes de morrer, o engenheiro hidráulico francês Henri Pitot deixou uma formidável contribuição a ciência. Ela aconteceu quando Pitot recebeu a missão de medir a velocidade do fluxo da água no rio Sena, o corredor naval cujas margens e ilhas servem de pedestal para Paris. O astucioso engenheiro francês inventou um objecto de medição na forma de tubo com três orifícios: dois recolhem a pressão estática e o terceiro, a pressão estagnada. A diferença matemática entre os dois tipos de pressões determina a velocidade média. O sistema funciona não só com água, mas também com o ar.

O Tubo de Pitot é usado nos aviões com mesmo propósito. Ou seja, aferir a velocidade média. Nas aeronaves mais modernas, como é o caso do Airbus A330-200 do vôo AF 447 acidentado no meio do Oceano Atlântico, entre o Brasil e a África, o sistema capta as pressões, envia para o computador de bordo calcular e determinar em seguida, o comportamento do avião. As temperaturas extremas influenciam a medição. Na noite do 1 de Junho, o Airbus A330-200 voava entre a aglomeração de nuvens cúmulus-nimbos da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) onde a temperatura era de 70 graus Celsius negativos. Suspeita-se que o Tubos de Pitot que ficam na parte dianteira do jacto onde não há interferência aerodinâmica, tenham enviado informações incorrectas

A hipótese é reforçada por uma recomendação da Airbus, emitida em setembro de 2007, para a troca dos Tubos de Pitot nos aviões A330 e A340. Pela informação da Air France de que aconteceram incidentes de perdas de informações anemométricas em voo de velocidade de cruzeiro em seus aviões A340 e A330”.

Em 27 de Abril deste ano, a Air France começou um programa de substituição do equipamento “em virtude do fluxo de gelo nas sondas.” Segundo nota da companhia aérea francesa, a pane “desaparecia em alguns minutos” e o número de incidentes era “irrelevante”. Os Tubos de Pitot do Airbus A330-200 do voo AF 447 eram de versão antiga.

Segundo o semanário frances, Journal de Dimanche, a Airbus constatou os primeiros problemas com os sensores de seus aviões em 1996. Há mais de 12 anos, o fabricante de aviões emitiu um comunicado afirmando que os instrumentos de medição poderiam ser afectados em condições meteorológicas extremas. O comunicado menciona a zona do acidente do voo 447 como aérea de risco.

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