quinta-feira, 2 de julho de 2009

O milagre das Ilhas Comore

Pai e filha já estão juntos. Bakarim Kassim já abraçou a filha Bakari Baya, única sobrevivente da queda do avião da Yemenia, segunda-feira. Viajaram juntos para paris, em França, onde a adolescente vai continuar a recuperação.

Baya, apelido que significa "Esperança" em português, mal sabe nadar, mas agarrou-se a uma pedaço do Airbus A310 da companhia nacional iemenita durante 12 horas. Sobreviveu. Foi a única. Entre os 152 passageiros presumivelmente mortos está a mãe de Bakari.

"Estou num turbilhão, entre alívio e tristeza. Estou feliz por ver a minha filha, mas a mãe dela não regressou", disse Bassim Kassim, pai feliz, marido de luto. A família e amigo dos Bakari juntou-se para apoiar a jovem, de 14 anos, e o progenitor, à chegada ao aeroporto de Roissy-Charles de Gaulle, em França.

Pai e filha viajaram juntos, desde as Ilhas Comore, para Paris, onde "Esperança" vai continuar a recuperação. "Falei com a minha filha. Ela está bem", disse Kassim, "muito, muito agradecido" pela ajuda do Governo francês.

O secretário de Estado da Cooperação de França, Alain Joyandet, deslocou-se às Ilhas Comore para acompanhar as buscas por sobreviventes do Airbus A310 da Yemenia, que caiu com 153 pessoas a bordo, entre estes, 66 francês. O Governante regressou a Paris, na companhia da "Esperança" e do pai Kassim.

"Isto ficará sempre na minha memória", disse o progenitor."As minhas condolências a todas as vítimas do desastre", disse Bakari Kassim, concluindo uma curta e emocionada conferência de Imprensa.

Alain Joyandet passou algum tempo com Bakari Baya, uma jovem "serena, muito doce e gentil". Contrariando indicações saídas na imprensa, o secretário de Estado da Cooperação francês confirmou que "Esperança" já sabe do destino da mãe. "Tomou conhecimento ontem da morte da mãe", disse aos jornalistas. "Agora, ela precisa de alguns dias de repouso. Vamos deixar esta famíla reconstruir-se", concluiu

A unica sobrevivente do acidente com o A310 da Yemenia Airlines é um daqueles casos de se pensar em forças que desafiam a compreensão humana.

A menina escapou da morte apenas com cortes no rosto e uma fractura na omoplata. Pouca coisa, se pensarmos no que costuma acontecer a quem escapa com vida, dos impactos a baixa velocidade - o 737 que caiu em Istambul em Fevereiro deste ano, deixou muitos passageiros com fracturas muito mais graves.

A menina contou ao pai que não se lembra de muita coisa, apenas de ouvir pessoas a falar e depois ficar a boiar agarrada aos destroços.

Esta informação animou as equipes de resgate, mas quando a menina foi retirada da água, só havia cadáveres á sua volta.

Num dos noticiários da CNN, um espectador prestou um depoimento sobre as condições dos aviões da Yemenia, que voam "parecendo que se vão desmanchar no ar", com os assentos sem cinto de segurança, painéis soltos e outros problemas de todos os tipos.

Aliás, se é que se pode falar em sorte, o facto de a menina não ter morrido mostra que provávelmente não estava com o cinto de segurança afivelado. Que ironia.

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