quarta-feira, 15 de julho de 2009

Biocombustivel, próximo de ser utilizado pelas companhias aéreas.

Num outro campo da luta pela sobrevivência, das companhias aéreas, um teste feito em Janeiro, mas cujos resultados foram divulgados agora, causou bastante interesse, entre os participantes da conferência de Cannes.

A Continental Airlines usou biocombustível numa das turbinas de um Boeing 737-800 num voo de 90 minutos em Houston, Texas. Na ocasião, a aeronave passou por vários procedimentos, que incluíram aceleração, desaceleração e religamento, bem sucedidos. O propulsor foi alimentado por uma mistura com jatropa – um tipo de arbusto – e algas. O resultado, embora tenha significado um ganho de eficiência de 1,1%, deixou saldo animador no ganho, e na redução da emissão de gases – 60% a 80% a menos que o querosene de aviação utilizado na outra turbina.

– Só com esse 1,1% de ganho em eficiência poderíamos economizar US$ 30 milhões por ano, mesmo com mistura pequena – explica Leah Raney, directora internacional de assuntos ambientais da Continental, sem revelar a proporção usada.

Tanto a jatropa quanto as algas lideram a corrida pelos biocombustíveis por não serem comestíveis e a sua produção não ameaçar o meio-ambiente, como num excessivo uso de água. A pesquisa avançou tanto que a certificação está próxima.

– O biocombustível precisa de ter as mesmas características do querosene. Por isso, no dia 24 de Junho, a comissão de combustíveis de aviação da ASTM [organização de padrões internacionais] criou um certificado para o composto sintético denominado DXXXX, o primeiro passo para a aprovação – acrescenta.

A regionalização, factor que poderia ajudar na sua expansão, é um dos princípios do certificado. Segundo a directora da Continental, nos EUA estuda-se uma composição de biocombustível da camelina, uma planta que pode ser usada por agricultores americanos nos três anos de rotação em que as lavouras de alimentos precisam descansar.

– A camelina, além de repor nutrientes no solo, tem produção simples e geraria fonte de receita para o produtor rural que fica com o campo vazio durante o período de cultivo dos produtos tradicionais – acrescenta Leah Raney.

Se por si só a mistura de combustível com plantas torna o consumo, crítico no custo, mais barato, a redução nas emissões também pode virar fonte de lucro. Um dos pontos altos do encontro em Cannes foi o anúncio da criação de um mercado de troca de créditos de carbono entre as companhias aéreas – responsáveis por 2% do volume total das emissões de gases poluentes. Quem produzir menos que a sua média – e o exemplo do teste da Continental é significativo por isso – poderá vender o excedente e abrir uma nova e promissora fonte de recursos.

O chamado Emission Trade Schemes (ETS) ainda está em fase inicial, com quatro companhias aéreas que estão testando o primeiro software de monitorização e verificação de emissões de carbono criado para o sector no mundo. Uma avaliação já foi feita, com sucesso, e outras três estão programadas até Agosto. Em Outubro, o software estará disponível para todos.

– Recomendo a todos que adoptem o programa, porque faremos isso de imediato – afirmou Abdul Wahab Teffaha, secretário-geral da Arab Carriers Organization (AACO), entidade que reúne as 11 principais companhias do mundo árabe, ao anunciar a novidade. (M.A.)

Por Marcelo Ambrósio

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