segunda-feira, 1 de junho de 2009

TAP reduz salários a 2.650 empregados no Brasil

Aqui ao lado, a administração da TAP, que será reconduzida amanhã. Da esquerda para a direita: Michael Connoly, Luiz Mór e Fernando Pinto.

Quando o tempo é de crise, vale tudo. "Fica suspenso, para todos os funcionários, o intervalo de 15 minutos para café", lê-se no acordo colectivo de trabalho assinado agora entre a TAP e os sindicatos que representam os 2.650 funcionários que trabalham na TAP Manutenção e Engenharia Brasil (M&E Brasil). Mas este corte nos intervalos para café talvez até seja bem-vindo, já que os salários vão ser reduzidos.

No acordo colectivo assinado com os sindicatos de Porto Alegre e Rio de Janeiro, a TAP conseguiu impor "a todos os funcionários" uma redução da remuneração que varia entre os 10% e os 20%, "pelo período de cinco meses" - findo o qual o acordo pode ser prorrogado. Assim, para aqueles que ganham até 1.300 reais por mês (468 euros), o corte será de 130 reais, mas para quem ganha mais os cortes podem chegar a perto de 20%: quem tenha um ordenado de 1.400 reais, por exemplo, passará a levar para casa 1.140 reais (uma redução de 503 euros para 409 euros). Estes cortes serão, contudo, compensados com vales de alimentação de idêntico valor. Considerando que todos os 2.650 colaboradores vejam o salário cortado em 130 reais - o valor mínimo dos cortes -, esta medida permitiria à M&E Brasil uma poupança de 4,8 milhões de reais, ou seja 1,7 milhões de euros.

O acordo com os sindicatos foi o caminho encontrado pela administração de Fernando Pinto para conseguir contornar o problema financeiro da M&E Brasil, que deve mais de 130 milhões de euros ao fisco brasileiro e que deu 29 milhões de euros de prejuízo ao Grupo TAP - que fechou o ano com um resultado negativo de 285 milhões de euros. "O Sindicato lembra que este acordo garantiu a estabilidade dos funcionários da TAP M&E", salientou o sindicato dos aeroviários de Porto Alegre aos seus associados, notando mesmo que "qualquer descumprimento ao acordo deverá ser denunciado na sede da entidade".

Mas além do corte nas pausas para café, e nos próprios salários, a TAP acordou com os sindicatos uma redução da carga laboral entre 10% e 25%. A empresa deu ainda a opção "aos funcionários que se interessarem" de interromperem o "contrato de trabalho por 105 dias", período durante qual receberão 30% do salário. Esta opção, porém, só estará disponível para um máximo de 200 colaboradores.

Mas nem tudo é mau para os trabalhadores. A par dos cortes, "também serão implementadas práticas de concessão de passagens TAP" para todos os funcionários da manutenção no Brasil e quaisquer lucros que esta empresa consiga em 2010 serão partilhados com os 2.650 funcionários.

Por outro lado, a TAP realiza amanhã a assembleia-geral que marca a entrada num novo ciclo da companhia aérea. Uma reunião que ficará marcada não só pela recondução de Fernando Pinto na liderança da TAP, como pela apresentação de um novo modelo de financiamento para a empresa, que chegou ao final de 2008 com capitais próprios negativos e pouca liquidez.

Fernando Pinto, líder da transportadora, conta agora superar as metas que lhe foram exigidas pelo accionista Estado - e que não conseguiu cumprir em 2008. O objectivo é ultrapassar, já este ano, a fasquia de oito milhões de euros de resultado líquido positivo. "A três anos, será possível superar os 60 milhões de lucro", admite Fernando Pinto.

A companhia ainda vive a ressaca dos 285 milhões de euros de prejuízo registados no ano passado e os resultados seriam ainda piores (chegariam a 320 milhões de prejuízo) se a transportadora tivesse contabilizado os 31,6 milhões que acordou pagar pelos 50,1% da empresa de handling Groundforce, que recomprou à Globalia. Este valor só foi debitado em Março deste ano, pelo que será tido em conta nos resultados de 2009 - a menos que se consiga encontrar um comprador para os 50,1% da Groundforce. O que pode ser tarefa difícil, já que um dos interessados referidos por Fernando Pinto, a Mota-Engil, negou ontem ao i estar disposta a investir na Groundforce. "Não temos qualquer interesse, isso não é verdade" referiu Jorge Coelho, CEO da empresa. com Nuno Aguiar
por Filipe Paiva Cardoso, no I

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