terça-feira, 9 de junho de 2009

Sindicato dos pilotos da Air France contra os 'A330' e 'A340'

Um sindicato dos pilotos da Air France pediu aos seus associados que recusem assumir os comandos dos Airbus A330 e A340 a não ser que sejam substituídos dois dos seus três, sensores de velocidade. Estes sensores poderão estar na origem do acidente do voo AF447 que se despenhou em pleno Atlântico, na madrugada do passado dia 1 de Junho, com 228 pessoas a bordo.

"A companhia disse que irá mudar os sensores nas próximas semanas. Queremos proteger as nossas tripulações e os nossos passageiros, por isso não podemos esperar esse prazo", disse Christophe Presentier, líder sindical do Alter, em declarações à rádio France Info e citado pelo jornal brasileiro Folhaonline. Presentier, que também falou à Bloomberg, justificou assim o pedido que o seu sindicato - que conta com 12% dos pilotos da Air France - fez aos seus associados para que "não voem se o aparelho não tiver pelo menos dois dos três sensores modificados".

O responsável sindical disse tratar-se de "uma medida de precaução" enquanto se investiga a possibilidade de uma falha nesses sensores ter provocado o acidente do Airbus A330, que voava do Rio para Paris. E lembrou que o Gabinete de Investigação e Análise francês (BEA), responsável pelo inquérito ao acidente, referiu os sensores como uma possível causa da tragédia, embora ainda não tenha dado uma explicação conclusiva.

Christophe Presentier adiantou que, no ano passado, foram registados problemas em aviões da Air France e de outras companhias relacionados com os sensores de velocidade. Para o BEA, esses sensores terão enviado informações contraditórias sobre a velocidade do voo AF447, uma "incoerência" que terá feito com que alguns sistemas electrónicos do avião deixassem de funcionar, como o piloto automático. Mas, sublinham os responsáveis pela investigação, é cedo para se saber as causas do acidente.

A Air France garantiu, por seu turno, ter acelerado o programa de substituição dos sensores, iniciado em 27 de Abril passado, após incidentes registados em várias das suas aeronaves. Fontes concordantes revelam, porém, que a empresa francesa mudou os sensores, mas dos Airbus A320.

De acordo com o semanário francês Journal du Dimanche, os problemas com os sensores foram detectados em 1996. Em comunicado interno, a Airbus terá alertado para os parâmetros de medição do referido instrumento poderem ser "severamente alterados" em situações de tempestade. Desde Maio, revela o semanário, foram detectadas falhas dos sensores nos Airbus A340 e A330. A Air France terá, então, pedido ao fabricante uma solução para "reduzir ou eliminar" tais problemas.

Entretanto, Paul-Louis Arslanian, director do BEA, confirmou que o Airbus A330, o modelo que desapareceu no voo Rio-Paris, já tinha sofrido problemas com os sensores de velocidade.

As buscas prosseguem em pleno Atlântico, ao largo do arquipélago de Fernando de Noronha, para tentar encontrar mais corpos e destroços da aeronave que ajude a explicar o acidente.

Das águas do Atlântico foram já resgatados 16 corpos, e não 17 como haviam afirmado responsáveis brasileiros. Todos devem chegar hoje a Fernando de Noronha, onde será realizada uma preparação pericial inicial dos cadáveres; depois serão transportados para o Recife onde serão identificados.

As equipas de busca, que recuperaram o estabilizador de voo e parte da cauda da aeronave, estão numa luta contra o tempo para encontrar as caixas negras do avião sinistrado, que serão determinantes para se saber das causas do acidente. Para o efeito vai a caminho um submarino francês, o mesmo que ajudou a recuperar a carcaça do Titanic, e o Pentágono anunciou já o envio de material sofisticado que poderá detectar o sinal emitido pelas referidas caixas a mais de seis mil metros de profundidade.
Lumena Raposo,DN, Globo


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