quinta-feira, 11 de junho de 2009

Quatro aviões Airbus fizeram aterragens de emergência nos últimos três dias

Dois aviões Airbus fizeram aterragens de emergência devido a problemas técnicos nas primeiras horas desta quinta-feira, elevando a quatro o número de incidentes envolvendo aeronaves da empresa nos últimos três dias.

No mais grave deles, um Airbus A330 da companhia aérea australiana Jetstar, com 203 pessoas a bordo, teve que fazer uma aterragem de emergência na ilha de Guam, no Oceano Pacífico, por causa de um incêndio no cockpit.

O avião - do mesmo modelo do Airbus da Air France que caiu no Oceano Atlântico no dia 31 de Maio - fazia o trajecto entre Osaka, no Japão, e Gold Coast, na Austrália. Os pilotos teriam conseguido apagar o fogo antes de aterrar, e nenhum passageiro ficou ferido.

Ainda na manhã desta quinta-feira, um Airbus A320 da empresa russa Aeroflot fez uma aterragem forçada em Novosibirsk, na Sibéria, com 122 pessoas a bordo, por causa de uma rachadura no para-brisas. O avião voava entre Irkustk, no centro-leste do país, e Moscvo.

Na manhã da quarta-feira, outro Airbus foi obrigado a retornar ao aeroporto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias, dez minutos após a descolagem, por se ter detectado um problema no motor.

O avião da companhia escandinava Iberworld partia com 180 passageiros com destino a Oslo, na Noruega. Após a aterragem, foram adoptados os procedimentos de emergência para evacuar o avião, mas não houve maiores complicações.

Uma falha num dos motores também causou uma aterragem forçada de um Airbus A340 da Air China, que fazia o trajecto entre Milão, na Itália, e Pequim, na terça-feira.

A aterragem ocorreu no aeroporto de Moscvo, na Rússia. Não houve feridos entre as 155 pessoas a bordo.

Apesar da proximidade dos incidentes com a queda do voo AF 447, e do facto de todos envolverem aviões da Airbus, especialistas garantem que essas ocorrências são raras.

"Todos os aviões apresentam problemas técnicos uma vez ou outra, mas eles são projectados para superar essas falhas com segurança, e os pilotos são treinados para lidar com eles", lembra Richard Woodwird, vice-presidente da Associação Australiana e Internacional de Pilotos.

"Se considerarmos a quantidade de horas voadas por essas aeronaves, o número de incidentes é muito pequeno", disse ele à BBC Brasil.

A assessoria de imprensa da Airbus disse à BBC Brasil que "a frota de A330 regista mais de 11 milhões de horas de voo" e que "não há motivos para relacionar esses casos individuais que ocorreram com aviões de outras companhias nos últimos dias ao acidente com o voo 447 da Air France".

"O acidente (do AF 447) é muito sério, mas foi o primeiro com mortes desse avião em voos comerciais", declarou a assessoria de imprensa da Airbus.

A empresa também lembra que a Agência Europeia para a Segurança da Aviação declarou nesta semana que o A330 "é um avião seguro, mesmo com os antigos modelos de sensores".

Woodwird afirmou ter conversado com o comandante do voo da Jetstar que pousou em Guam e disse que os procedimentos adoptados por ele foram os correctos.

Um porta-voz da companhia aérea disse à rede de TV australiana ABC News que um dos pilotos usou um extintor para apagar um fogo no cockpit, assim que foram detectados fumos.

"Nós fizemos um desvio de emergência para o Aeroporto Internacional de Guam, onde o avião aterrou sem incidentes".

De acordo com o porta-voz, o avião permanecerá em Guam até que as causas do incidente sejam apuradas.

Segundo informações, a maioria dos passageiros era de nacionalidade japonesa.

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