quinta-feira, 4 de junho de 2009

Notre Dame, acolheu cerimónia multi religiosa.

A catedral de Notre Dame foi, ontem, palco de uma cerimónia em memória das vítimas do voo 447 da Air France.
Isto quando são encontrados mais destroços em pleno Atlântico onde se despenhou com 228 pessoas a bordo. Um acidente que, revela o diário brasileiro Jornal da Tarde, ficou resumido nas seis mensagens enviadas pelo aparelho durante quatro minutos.

"Cabina em velocidade vertical." Esta terá sido a última das seis mensagens automáticas enviadas pelo avião da Air France que, na madrugada de segunda-feira, se despenhou em pleno Atlântico com 228 pessoas a bordo. Estas mensagens, enviadas em tempo real para a companhia aérea francesa e durante quatro minutos, foram ontem reveladas pelo diário brasileiro Jornal da Tarde.

As mensagens, que um funcionário da Air France traduziu para o jornal, revelam que o avião alertou para a perda de sistemas e para a tentativa de correcção dos parâmetros electrónicos que terão deixado de funcionar. Por exemplo, revela o Jornal da Tarde, terão sistemas de referência como o Adiru, ou seja, a unidade que informa nos visores do cockpit dados como altura e velocidades vertical, no ar e na proa; registou-se também falha eléctrica no principal computador de voo.

Os problemas ocorreram entre as 23.10 e as 23.14, horas de Brasília. Foram quatro minutos em direcção à morte nas águas do Atlântico, onde ontem foram encontrados mais destroços do Airbus da companhia aérea francesa, nomeadamente um objecto de sete metros de diâmetro.

Às 23.00 tudo ainda estava bem. É a essa hora que o comandante do voo 447 envia uma mensagem manual na qual dá conta de estar a atravessar uma área de forte turbulência, acima de cúmulus-nimbus, as tais nuvens negras carregadas de electricidade, e com fortes rajadas de vento. Dez minutos depois surgem os primeiros sinais de que algo não está bem: a mensagem dá conta de que o piloto automático está desligado.

Ricardo D'Amore, um piloto citado pelo jornal brasileiro, diz que o desligar do piloto automático pode indiciar que "houve tentativa" para sair da região. Mas, D'Amore sublinha ser "extremamente difícil" o controlo manual de um avião daqueles em grande altitude.

E as mensagens automáticas sucedem-se, revelando cada vez mais falhas dos sistemas da aeronave até que às 23.14 chega a derradeira mensagem - "cabina em velocidade vertical". Depois, é o silêncio e a ausência de imagem.

Vários técnicos da aviação consideram que a última mensagem pode significar que ar do exterior entrou na cabina, o que pode indicar despressurização ou mesmo que o Airbus A330 já estaria em queda. A verdade total dos factos só irá saber-se, porém, quando forem encontradas as caixas negras do avião, que se despenhou a 740 Km do arquipélago brasileiro de Fernando Noronha, daí a intensificação das buscas que, ontem passaram para a fase marítima. A terceira e última fase será submarina.

O Brasil, que perdeu 58 cidadãos no acidente, decretou três dias de luto nacional e realiza hoje uma cerimónia em sua honra.
por Lumena Raposo - DN, Globo

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