quarta-feira, 10 de junho de 2009

Emeraude, á procura das caixas pretas do Airbus

Renova-se a esperança de recuperar as caixas negras do voo 447: o submarino nuclear francês Emeraude, determinante para encontrar estes objectos, chega hoje à área onde, na madrugada do passado dia 1, se terá despenhado o Airbus 330 da Air France com 228 pessoas a bordo. Ao local deve também chegar hoje o material enviado pelo Pentágono e que consegue detectar os sinais emitidos pelas caixas negras a mais de seis mil metros.

Encontrar e recuperar as duas caixas é determinante para se conhecer as causas da tragédia que deixou enlutadas famílias de 32 países. Daí que outro navio francês seja também esperado, amanhã, no local. Trata-se do Pourquoi Pas, que saiu ontem de Cabo Verde rumo à costa brasileira, e vai equipado com três robôs submarinos, dois dos quais podem descer até seis mil metros de profundidade. Espera-se que ajudem a detectar e recuperar as caixas negras e também alguns corpos que não tenham conseguido vir à tona. Recorde-se que um submarino do Pourquoi Pas - o Nautilus - ajudou a recuperar a carcaça do Titanic.

E quando o número de corpos resgatados das águas do Atlântico ascende a 28 - segundo os comandos da Marinha e da Força Aérea brasileiros -, os primeiros cadáveres chegaram ontem a Fernando de Noronha, onde são objecto de uma preparação pericial inicial ; depois serão levados para Recife, onde serão identificados. Para o efeito e para além da recolha de material para a realização dos exames de ADN, foram pedidos às famílias que fornecessem o maior número de dados passíveis de ajudar a identificar as vítimas.

A Força Aérea e a Marinha brasileiras já anunciaram que não irão dar qualquer informação sobre o estado dos corpos ou sobre o sexo das vítimas.

Entretanto, um outro sindicato de pilotos da Air France exigiu a mudança dos sensores dos Airbus A330 e A340. A exigência, feita ontem, coincidiu com o anúncio por várias companhias aéreas europeias de que já mudaram ou tencionam mudar os instrumentos em causa.

Desta vez foi o Spaf, também um sindicato minoritário de pilotos da Air France, quem veio a terreiro.

E a sua comunicação surgiu depois da companhia aérea francesa ter anunciado que, a partir de ontem, todos os seus Airbus A330-A340 de longo curso que descolassem estariam equipados com "pelo menos duas novas sondas".

Tanto bastou para que Michel Le-Bras, piloto e membro do sindicato, comentasse: "Não vejo como, entre ontem e hoje, se possa equipar 19 A340 e 15 A330 com uma segunda sonda: num prazo assim tão curto, é impossível". E, adiantou: "Metade dos aviões está em voo ou em escala no estrangeiro." Face a isso, o sindicato lançou o apelo: não voem sem ter a certeza "que os aviões estão bem equipados com duas sondas".

A companhia aérea belga - Brussels Airlines - anunciou que, em Janeiro, começou a mudar os sensores dos seus Airbus A330, uma operação que deverá estar terminada em Julho. O porta-voz da Brussels Airlines adiantou que, até ao momento, não se registaram "incidentes" com as suas sondas.

Por seu turno, a companhia aérea Swiss, que integra o grupo da Lufthansa, revelou ter decidido mudar as sondas dos seus Airbus A330, adiantando que, em 2007, se registou um incidente com um dos seus aviões.

Um porta-voz da companhia francesa Air Caraibas revelou, por seu turno, ter sido registado, em 2008, duas situações de mau funcionamento das sondas de velocidade no Airbus A330, em 2008.

Por Lumena Raposo,in DN

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