segunda-feira, 22 de junho de 2009

Despressurização violenta e traumática, terá sido a causa do acidente.

O desaparecimento do voo AF447, foi já á três semanas e, segundo admitiu o diretor do BEA, Paul Henri Arslanian, os dados na posse do BEA desde o primeiro dia, mais o exame de destroços e corpos, permite que se chegue a algumas conclusões.

Nos fóruns especializados e a partir de conversas com pilotos, a explicação coincide numa combinação de eventos iniciada com a falha nos três sensores de velocidade – ou no sistema de descongelamento destes accionado numa tempestade.

Em função do que disse Arslanian, voltei às mensagens do ACARS (Aircraft Communications Addressing and Reporting System).

O relato começa quando o piloto automático é desligado. O comando, que originou esta situação, pode ter sido dado piloto ou peloo computador, mas o aviso seguinte, que manda ligar o automático novamente, aponta a primeira opção, acção do piloto. Sem sucesso, já que o alerta, na sequência, avisava que o controle passara ao modo Alternate (um dos quatro no Airbus e o primeiro a ser accionado quando o Normal falha).

Não havia ainda indicação de problemas com os sensores de velocidade, mas possivelmente o computador já trabalhava com um vector abaixo do real. Neste caso, a reacção seria evitar o Stall (perda de sustentação), com aceleração e a proa ligeiramente para baixo.

A operação pode ter lançado o jacto, que estava a 0.87 Mach, a uma velocidade maior quando deveria reduzir em função da turbulência e manter a proa (pitch) para cima. Os dois itens seguintes no relatório (FLAG ON) são bandeiras de alerta que surgem nos monitores.
Imagino que a tripulação percebeu que deveria abortar o mergulho, porque o acelerador automático (AUTO FLT A/THR OFF) aparece como desligado e não com problema. Surgiu então outro sinal de avaria, desta vez com o radar anti-colisão (TCAS), onde também se pode ler a velocidade, e novamente dois FLAG ON no painel.

O aviso seguinte é crucial: mostra que o controle do movimento da deriva (o leme direccional que foi recuperado do mar junto com a cauda) está avariado. A peça tem movimentos limitados de acordo com a velocidade, quanto mais alta, menor o ângulo.

É possível que o comandante tenha tentado retomar a trajectória e, nesse movimento o sistema travou. Seria estranho, porque mesmo em Alternate, o computador central (ADIRU) ainda opera e poderia tentar impedir um movimento estranho aos padrões do projecto.

A partir dali, o A330 mergulha provavelmente em curva. A trajectória, segundo técnicos que ouvi, nestes casos é semelhante a um jarro, com a base alargando-se na aceleração da gravidade. Só então surgem nos ecrãs a confirmação de que as velocidades são erradas. Os alertas EFCS21, EFCS1, AFS P confirmam que os Pitot "enlouqueceram". Os avisos até aqui foram enviados pelo ACARS num minuto.

Novamente, dois FLAG ON surgem, antecedendo ao alerta de que o ADIRU acusa dados divergentes da velocidade. Nem o computador, nem o piloto, nessa altura, sabem qual é a velocidade correcta. Neste caso, segundo um comandante de Airbus, uma saída, seria apoiar-se na leitura do radar meteorológico, mas não há indicação se teria sido usada – há casos em que o congelamento também ataca a antena. Um detalhe que este profissional destaca na lista: nenhum dos alarmes relacionados pelo ACARS é de problema eléctrico.

O comandante do AF447 teria optado por uma terceira configuração, ISIS – recurso de emergência – porém os alertas indicaram avaria no controle primário (PRIM 1) e secundário (SEC 1). Nem o horizonte artificial do ISIS está disponível e o piloto perde orientação espacial.

Em velocidade de limite estrutural, com força G excessiva aplicada sobre a lateral da deriva, a primeira das três “orelhas” de fixação – ainda presa na peça recuperada do mar – separa-se do corpo do avião e uma fenda, fica aberta, na estrutura do Airbus.

A 500 nós, o vento força a abertura e a peça solta-se. O alerta de CABIN VERTICAL SPEED avisa da despressurização violenta. E a estrutura despedaça-se antes de mergulhar no oceano.
A galley inteira vista na foto reforça essa idéia.

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