sábado, 6 de junho de 2009

Avião da Iberia desviou-se da tempestade na mesma rota do AF 447

Antes de desaparecer dos radares, o Airbus 330-200 da Air France foi acompanhado de perto por um avião da companhia espanhola Iberia, que desviou de seu trajecto original para evitar uma forte turbulência.

O voo IB6024, que fazia a rota Rio-Madrid, guardava uma distância de segurança de dez minutos atrás do avião francês e, segundo relatório da companhia aérea espanhola, o seu comandante decidiu "alterar o programa de voo com desvio de 30 milhas a leste, evitando a turbulência e a forte descarga eléctrica".

De acordo com a assessoria de imprensa da Iberia, o avião espanhol saiu do Rio sete minutos depois do AF447, a 80 milhas da aeronave da Air France.

Avisado das circunstâncias meteorológicas que encontraria durante o vôo, o piloto solicitou mais combustível, um procedimento que a Ibéria disse tratar-se de "uma medida padrão".

"Todos os voos seguem este procedimento. Os comandantes recebem informação precisa sobre todos os parâmetros: número de passageiros, peso da carga, combustível disponível, plano de rota e condições meteorológicas. Em função disso tomam decisões durante o voo."

Segundo a companhia espanhola, "a uma altitude de cruzeiro de 35 mil pés, a aeronave da Iberia guardou uma distância de segurança de dez minutos, monitorizada pelo TCAS (Traffic Collision Avoidance System, um sistema que controla as 'estradas aéreas' impedindo um choque entre aviões)".

Quando percebeu a área de turbulência à sua frente, o comandante do IB6024 desviou da rota e não viu mais sinais do AF447 em seu radar.

Para um especialista ouvido pela BBC Brasil, ainda não é possível determinar se o avião da Air France foi vítima das más condições climáticas e, se foi, por que não desviou a tempo de evita-las.

"Aeronaves como este Airbus são dotadas de um radar capaz de detectar tempestades na rota, e a tripulação também conta com a ajuda das informações fornecidas pelos controladores de voo", explicou o engenheiro Washington Yotto Ochieng, especialista em sistemas de navegação e professor do Imperial College, em Londres.

"Esses equipamentos são muito confiáveis e resistentes, e são projectados tendo em mente condições meteorológicas severas."

Pouco antes de seu desaparecimento, o avião da Air France enviou sinais automáticos de falha no sistema eléctrico. O engenheiro considera que pode ter havido uma avaria no radar meteorológico, ou ainda um erro na reacção da tripulação diante de uma situação de emergência.

"Vamos demorar para saber o que realmente o ocorreu. Mas é possível que este seja um caso de uma combinação catastrófica de eventos que pode ter levado o avião a se desintegrar no ar."

O relatório da Ibéria destaca que a cabine de comando do avião espanhol "acompanhou pelo sistema de frequência de rádio as intensas tentativas dos controladores aéreos brasileiros para estabelecer comunicação com o avião francês".

Ainda segundo esta informção, o piloto espanhol não recebeu nenhum pedido de ajuda na frequência automática de emergência.

Ao entrar no espaço aéreo do Senegal, o comandante da Iberia disse que voltou a ouvir chamadas de controladores aéreos tentando fazer contacto com o AF447.

"As tentativas de comunicação eram repetidas e todos os que estávamos no ar naquele momento notamos que o AF447 não respondia", afirmou o piloto.

Ele diz que não imaginou "qualquer hipótese negativa (para o avião francês) porque o IB6024 completou o trajecto com normalidade e sem problemas".

Anelise Infante*De Madri para a BBC Brasil.

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