quinta-feira, 18 de junho de 2009

Airbus, da Air France,poderá ter amarado de bojo.

Dados das primeiras autópsias, revelados pelos médicos de Recife ao jornal de São Paulo, "O Estadão", indicam que os corpos das vítimas do AF447 apresentam coincidências de fracturas nos membros inferiores - no terço da perna por exemplo - braços e quadril.

Tais lesões, reforçadas pelo facto de não haver traumatismos cranianos, indicariam que o choque do Airbus, ter-se-ia dado quase na horizontal, ou seja, de barriga na água, com os passageiros presos pelos cintos de segurança às poltronas.

Trata-se de uma informação importante do ponto de vista da investigação, mas cuja conclusão é um tanto imprecisa: uma das rotinas mais importantes e treinadas por todas as tripulações de cabine é a de preparar os passageiros para uma situação de emergência.

Tais instruções constam do discurso de preparação de cabine, feito sempre, antes das descolagens e encontram-se igualmente, bem tipificados, naqueles cartões plastificados grandes que ficam nas bolsas dos assentos dos passageiros, e que ninguém costuma olhar - por indiferença ou mesmo por superstição.

Em situações como a vivida no AF447, pelo menos nos instantes iniciais da emergência é possível que a tripulação tenha alertado os passageiros para que colocassem os encostos na posição vertical, apertassem os cintos e, principalmente, se preparassem para uma aterragem de emergência. As indicações, neste caso, são: tirar os sapatos, se possível deixar um documento de identificação dentro da roupa (ninguém faz isso, nem eu...) e dobrar o corpo sobre as pernas, apoiando a cabeça à frente dos joelhos. Os braços devem ficar apoiados sobre a nuca. As forças do impacto tendem a concentrar-se na cintura e nos braços. Fracturas nas pernas ocorrem em situações nas quais as poltronas são arrancadas das calhas aonde estão fixas.

Desde a queda do Boeing 737 da Varig na Amazónia - quando a maior parte das mortes se deu pelo facto de as poltronas traseiras terem sido projectadas sobre quem estava na parte da fente - os pinos de fixação foram alterados e reforçados. Quem se der o trabalho de os observar, verá que são feitos de uma liga diferente, com titânio, e seguram a estrutura metálica dos assentos - também reforçada - aproveitando um ângulo favorável para ampliar a resistência ao choque. As longarinas do piso, passaram igualmente a ser reforçadas.

No amaragem, daquele A320 da USAirways no Rio Hudson, em NY, o comandante Sully Sullemberger deu essa ordem um pouco antes do choque na água.
"Cabin crew, embrace yourselves". Com este procedimento, a pancada do choque na água foi completamente amortecida. A única pessoa que se feriu mais seriamente neste acidente, foi uma das assistentes.

No caso do AF447, as fracturas parecem denotar não uma amaragem, como se fala, mas um choque relativamente bem nivelado, horizontalmente, com a superfície do oceano. Com os ferimentos apresentados, a denunciarem,uma desaceleração, extremamente violenta.

As manchas, descobertas nas mucosas (manchas avermelhadas), e observadas pelos legistas, costumam estar associadas à asfixia, reforçando mais a tese de uma despressurização traumática - um dos últimos alertas do ACARS sinaliza essa possibilidade.

Um comandante de Airbus experiente, e que leu a sequência das mensagens recebidas, emitidas automáticamente, pelo Air France, chamou a atenção, para o facto de, não há em nenhuma das 24 mensagens, qualquer menção a falha eléctrica no Airbus. Apenas a perda do ADIRU (o computador central poderia ser associada a algum tipo de descarga, mas não naquele momento da emergência).

Paul Henri Arslanian, o investigador-chefe do BEA, afirmou que a investigação,"encaminha-se para o seu objectivo final".

Como tudo neste caso tem sido divulgado aos soluços, a indicação é clara, de que mesmo sem a caixa-preta a história dos momentos finais do A330 já é do conhecimento dos técnicos.
Arslanian também repetiu que o foco das análises está mesmo nas leituras incoerentes de velocidade registadas pelos sensores Pitot que congelaram. A falha, neste caso, nem teria sido o congelamento, que é previsto como parte das alternativas de voo, mas do sistema de aquecimento do equipamento, que não funcionou a contento.

Arslanian também protestou, o facto de os peritos do BEA não terem participado das autópsias - algo não foi ainda confirmado.
Mas é compreensível, já que os legistas de Recife actuavam dentro de um processo legal de identificação de acordo com as leis.
Nada impede que os franceses possam ter acesso aos corpos depois.

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