quarta-feira, 10 de junho de 2009

Airbus, da Air France, desintegrou-se no ar

A recolha dos corpos no mar, é uma parte dura da missão de resgate e que exige uma preparação emocional e psicológica muito grande por parte dos militares envolvidos na busca pelos destroços do A330.

Em acidentes aéreos graves, esse trabalho exige um esforço físico brutal e um autocontrole impressionante. Dizem, militares da FAB que actuaram neste tipo de missão, que torcem para que a busca por corpos nos destroços se dê numa área carbonizada pela explosão da própria aeronave - o fogo higieniza o ambiente, eliminando os insectos e os odores da decomposição.

Isso não ocorreu, por exemplo, com as vítimas do desastre com o Boeing da Gol no Mato Grosso,que culminou num mergulho em parafuso, originando a que a estrutura não aguenta-se a força G da curva e se parti-se em vários pedaços grandes.Todos os corpos foram recuperados após meses de árdua tarefa. Tempos depois, os peritos que precisavam avaliar os destroços ainda encontravam um ambiente impossível de trabalhar.

No acidente com o A330, a água substituiu o fogo. Mas mesmo assim, segundo militares envolvidos, a recolha dos restos mortais de passageiros e tripulantes - o uso da palavra corpos é uma janela semântica para horrorizar menos quem precisa acompanhar o processo,ou chora por uma perda traumática - tem sido uma penosa sucessão de chocantes reproduções, da violência da tragédia.

Um dos militares com acesso às equipes de resgate, contou que os corpos estão muito mutilados, vários estão desmembrados e sem cabeça - restando apenas o tronco - e irreconhecíveis por características visuais. A definição da identidade, só será possível, através de exames do DNA.

Em alguns, pouquíssimos, cadáveres mais preservados, os militares já encontraram a primeira e definitiva versão para os instantes finais do vôo AF447: corpos completamente nus confirmam que o Airbus se desintegrou no ar antes do choque com o mar. Se os cálculos da razão de descida - que em condições normais fariam o avião bater na água a 215 km do ponto inicial de alarme, e não a 70 km - mostravam um ângulo elevado de mergulho, a prova cabal e técnica está nesta descoberta.

De acordo com especialistas em resgate, um dos principais indicativos de uma despressurização violenta decorrente de ruptura estrutural é encontrar corpos sem qualquer peça de roupa.

No acidente de Mato Grosso, alguns estavam assim, presos em galhos de árvores.
A explicação traduz bem a aterradora experiência: quando a cabine se parte, a descompensação, provoca uma enorme corrente de ar, que arrasta partes do interior da cabine mesmo que estejam firmemente presas ao chão. Cadeiras, forros de paredes, estruturas das janelas, painéis do tecto, enfim, tudo é arrancado numa implosão. O repuxo ainda rasga e tritura todas as roupas das pessoas, mesmo que estejam firmemente amarradas nos assentos - que só resistem por pouco tempo.

O consolo, se é que se pode dizer assim, é que a morte ocorre em poucos segundos. Pelo menos no caso desse corpo encontrado sem todas as roupas, a passagem para outra dimensão serviu para elucidar mais um capítulo dessa trágica etapa da história da aviação.

Por Marcelo Ambrósio - JB Slot -
Foto:www.g1.com.br

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