sábado, 6 de junho de 2009

A Air France,já sabia há um ano de defeito nos sensores


A decisão da Air France de informar os seus pilotos que determinou a substituição de todos os sensores de velocidade dos Airbus da sua frota – revelada pela imprensa francesa no fim da tarde de ontem, dia 5 de Junho de 2009 – é uma evidência da importância desse pequeno e antigo equipamento de medição, no esclarecimento da queda do AF447.

E mais, da suposta responsabilidade da companhia na sequência de eventos que culminou com o desaparecimento de um avião com apenas 18 mil horas de voo.

Segundo comunicado obtido pela agência Bloomberg, em Paris, há um ano o fabricante do sensor, a Thales – empresa francesa – tinha emitido um aviso aos clientes Airbus que utilizam o modelo com uma recomendação (facultativa) para que o substituíssem por uma versão com maior aquecimento e, portanto, menos sensível ao congelamento.

O sensor, chamado de tubo de Pitot, transmite ao computador a leitura da velocidade a que o avião voa. No A330 são três, e todos teriam congelado quando o jacto passou pela tormenta na Zona de Convergência Intertropical no domingo, em cujo interior a sucção vertical de água do mar gerou correntes verticais de 100 km/h e temperaturas de 40ºC negativos, com formação de gelo.

Assim, o computador de bordo teria recebido leituras diferentes das reais – registadas pelo sistema automático de envio de dados ACARS e acabou por ser induzido com medidas de aceleração ou redução de potência que comprometeram a navegação no momento mais crítico da passagem em uma área de forte turbulência, quando a aceleração é uma peça chave. De acordo com analistas europeus, o sistema em uso actual é conhecido por apresentar problemas em ocorrências dessa natureza.

O comunicado sobre a substituição foi divulgado pela agência Associated Press. No texto, a AP informa que a troca se dará nas próximas semanas, embora não se especifique quando teria iniciado. A empresa aérea não quis comentar a decisão, alegando que se tratava de um comunicado para os pilotos. O fabricante – que emitiu um boletim de recomendações para pilotos que enfrentam turbulências – também não comentou.

O Acident Information Telexes avisa que, em caso de leitura incoerente de velocidade, é importante que se mantenha a aceleração dos motores e a proa do avião um pouco acima do nível horizontal. Esse tipo de comunicado é comum após a ocorrência de desastres e enquanto a investigação procura descobrir as causas.

Dois boletins de segurança de voo sem data (Air Safety Report) postados num fórum especializado, confirmam as ocorrências de incidentes com os tubos de Pitot. Nos dois casos, com modelos A340, maiores que o acidentado, porém com os mesmos equipamentos e cockpit similar.

O primeiro caso deu-se com o vôo AF279, de Narita (Tóquio), para Paris, que enfrentou mau tempo e turbulências. O computador (ADIRU) do A340 prefixo F-GLZL recebeu leituras alternadas de velocidade e alarmes surgiram no cockpit. Os pilotos efectuaram procedimento para alternar o modo de voo – para Alternate Law, como no AF447 – e perceberam que havia gelo no pára-brisas, accionando um programa descongelante.

Voando manualmente, tentaram recuperar o sistema, mas os alarmes recomeçaram. Após a aterragem, no Charles de Gaulle, a manutenção constatou que os três tubos estavam entupidos, bem como os respectivos drenos, e observou que o problema acontecia noutros aviões similares, recomendando, no caso do A330, a redução dos prazos de inspecção e a troca do tipo de sonda pelo mesmo modelo usado nos A320.

O outro relatório refere-se ao A340 prefixo F-GLZN, que enfrentou avaria igual num voo entre a capital francesa e o aeroporto JFK, em Nova York. A sequência de problemas é similar à do AF447.

No Brasil, apenas a TAM utiliza os A330 em suas rotas internacionais. Consultada pelo Jornal do Brasil, a companhia aérea informou em nota que o procedimento operacional sugerido para enfrentar as turbulências já vinha sendo adoptado como padrão pela companhia há tempos.

Quanto à deficiência do sensor, a empresa confirmou ter recebido memorando a respeito.

“Um boletim da Airbus de Setembro de 2007 recomendava o update no sistema de captação de ar para o velocímetro das aeronaves – procedimento facultativo, que a TAM vem executando desde então em sua frota de A330”. Fonte: Marcelo Ambrósio, JBlog Slot

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