A história da amaragem, do A320 da USAirways, entrou para os anais da aviação como uma das acções de emergência mais bem sucedidas de todos os tempos. Afinal, pousar um jacto birreactor, com os dois, desligados, após terem "sugado" um bando de gansos, em pleno Rio Hudson, no coração de Manhattan, não é para qualquer um.

A perícia e o sangue-frio do comandante Chesley Sully Sullemberger nunca esteve em questão: ex-piloto de Phantom F4 da marinha e de planadores nas horas de folga, Sullemberger levou o que seria uma amaragem difícil a um toque tão suave na água que os danos foram mínimos. Sem contar o facto de que o avião, provavelmente se afundaria após o contacto com a s águas.

Os estragos visíveis no voo 1549 foram, o radome (bico) amassado e a perda de uma das turbinas, que se soltou dos pilones da asa. Se o comandante foi o herói, a saga também teve vilões, segundo o resultado da investigação. Essa é a grande surpresa.

O facto de o A320 ter sido inundado pouco mais de uma hora depois do toque nas águas geladas passou meio despercebido para o público em geral, mais preocupado com a fantástica operação de resgate, na qual ferryboats de um cais próximo foram accionados antes que alguém pudesse morrer de hipotermia.

Mas a realidade técnica é fria, e a submersão da aeronave chamou a atenção dos investigadores do National Transport Safety Board (NTSB) encarregados do caso. Ouvidos os primeiros depoimentos de tripulantes de cabine e dos passageiros, os técnicos descobriram que por pouco todos os ocupantes do avião, não morreram afogados ou congelados. A porta traseira da aeronave, que ficara numa posição abaixo do bico sobre a água, foi aberta sem que tivesse havido qualquer ordem por parte do comandante. Pelo contrário, Sullenberger e a chefe de cabine orientaram a todos para que se concentrassem na dianteira da aeronave, de forma a equilibra-la.

A questão é que alguém abriu a porta, quebrando uma espécie de selo de vidro que controla esse tipo de operação.

De acordo com o investigador Robert Sumwalt, um dos passageiros declarou com detalhes que a responsável pelo erro foi uma das assistentes, Doreen Welsh. A tripulante contara a vários colegas, dera entrevistas e até um emocionado depoimento ao Congresso,q ue uma das passageiras em pânico a tinha empurrado e soltado a alavanca da porta, cujo resultado imediato foi a entrada rápida de água na cabine e o desequilíbrio do avião – por isso a maioria dos 155 passageiros a bordo foi orientada para se dirigirem para as asas.

A história da assistente, Welsh ficaria como um exemplo da diferença entre o sangue-frio dos profissionais e a reação emocional de quem viaja, se um passageiro não desmontasse o falso heroísmo.

Billy Campbell, passageiro,e o segundo a prestar depoimento – o primeiro foi o próprio comandante Sullemberger – declarou com toda a certeza que Welsh agiu sozinha. Apavorada, resolveu sair pelo único local por onde não deveria, e abriu a porta, por conta própria. Campbell, estava sentado na penúltima fila, e tinha total visão da porta.
Quando este depoimento se tornou público, outros passageiros, contaram a mesma versão dos acontecimentos, deixando, para a assistente o papel de vilão.

Para Doreen, a visada, a versão é a seguinte:
“Estava no jump seat e, quando olhei para trás, vi água no visor da porta. Quando me virei para orientar as pessoas, uma passageira empurrou-me com violência e gritou para que eu a abrisse. Como não a atendi, ela acionou a alavanca. Consegui afastá-la mas era tarde demais. A água, já tinha começado a entrar”.

Naquelas, circunstâncias, uma pequena ruptura na fuselagem permitia a entrada em catadupa, das águas que envolviam o avião, mas ao escancarar a porta Welsh agravou o problema.

A assitente, foi procurada para dar a sua versão, mas não falou. O sindicato preferiu, não, alimentar a polémica, declarando-a inútil, já que o importante é que todos fos passageiros foram salvos. Mas, há quem agora, acha que a acção de Welsh criou um salve-se quem puder, com todos lutando para chegar à frente do A320, inclusive por cima dos encostos dos assentos.

Foi por pouco, que a tragédia não aconteceu.