sexta-feira, 15 de maio de 2009

Tap, hipotéca receitas futuras, da venda de passagens.

A TAP celebrou com a Tagus, Sociedade de Titularização, um contrato de cessão de créditos futuros referente às vendas de passagens aéreas "nas suas diversas linhas e rotas" até 2016. A operação foi fechada a 29 de Dezembro de 2006, último dia útil desse ano, e permitiu à transportadora encaixar 228,8 milhões de euros. A factura começou a ser paga em Março deste ano e estende-se até 2016.

"É uma forma de financiamento. Se for bem feito não é grave, o problema é quando se recorre a estas operações em desespero e a TAP está falida", comenta João Cantiga Esteves, professor do ISEG Instituto Superior de Economia, questionado sobre a operação. "Se já estão a securitizar bilhetes que vão vender até 2016, então as coisas podem estar bem complicadas, é altamente preocupante", comenta o economista ao i.

A companhia aérea desdramatiza, sublinhando que a cessão de créditos "não tem efeito nos resultados". Fonte oficial da TAP apontou que a hipoteca de receitas futuras "se tratou de um dos empréstimos que foram efectuados aproveitando um momento favorável no mercado financeiro, tendo a forma utilizada sido vantajosa em relação a outras alternativas". Objectivo? "Reforço de tesouraria e fazer frente a investimentos programados", como a compra de cinco aviões Airbus A330. 2006 foi também o ano em que a TAP fechou a compra da Portugália por 140 milhões de euros.

"Ainda bem que o fizemos [titularização], já que aproveitámos bem o momento do mercado e, se não o tivéssemos feitos, hoje encontraríamos as portas fechadas. Foi a mais favorável das opções que tínhamos na altura", comenta outra fonte ligada à TAP, sobre o financiamento. Já sobre o custo total da operação para os cofres da TAP, ou qual a percentagem dos bilhetes vendidos entre 2009 e 2016 que vão para a Tagus, fonte oficial da transportadora aérea não adiantou qualquer pormenor.

Os relatórios e contas de 2006 e 2007 da companhia liderada por Fernando Pinto demonstram que, no plano de reembolso da dívida de médio e longo prazo a instituições de crédito ? onde foi inscrita a operação com a Tagus ?, as responsabilidades da TAP passam de 7,5 milhões de euros em 2008 para 64,85 milhões de euros em 2009.

Este é precisamente o ano em que a TAP inicia o reembolso à Tagus, não tendo a empresa contraído quaisquer outros créditos nesta rubrica. O aumento explica-se pelo contrato com a Tagus? A transportadora não clarifica. Em 2010, 2011, 2012 e seguintes exercícios, o reembolso anual da TAP mantém-se sempre entre os 64 e os 67 milhões de euros.

A TAP fechou 2008 com um prejuízo de 285 milhões, enquanto em 2007 obteve 32,8 milhões de lucro e, em 2006, 7,3 milhões.

Questionada sobre o impacto do reembolso da Tagus ainda este ano, quando a companhia aérea está com assumidas dificuldades de tesouraria e a vender menos bilhetes de avião, a empresa também não fez quaisquer comentários.

Entre Janeiro e Abril deste ano, a TAP transportou menos 2,7% de passageiros que no mesmo período de 2008, o que representa menos 70 mil bilhetes vendidos. O orçamento da transportadora prevê um lucro de 8,1 milhões em 2009, num ano em que os preços do petróleo estão a níveis que não eram vistos desde 2004.
por Filipe Paiva Cardoso,no I

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