quinta-feira, 30 de abril de 2009

Crise obriga TAP a cancelar cinco mil voos até Maio

A factura com combustíveis agravou as contas da TAP, que depois dos lucros de 54 milhões em 2007, fechou o exercício de 2008 com prejuízos de 285 milhões. As perspectivas para este ano não são animadoras. Fernando Pinto pede a "capitalização urgente" da empresa.As contas do grupo TAP fizeram uma aterragem forçada - o exercício de 2008 fechou com perdas de 295 milhões, dos quais 209 milhões reportam à TAP SA. Em 2007, o grupo tinha registado lucros de 54 milhões. Fernando Pinto, presidente executivo da companhia aérea, revelou na apresentação dos resultados que a "performance foi traída pelo aumento do preço dos combustíveis". No ano passado, a factura com combustíveis totalizou 703 milhões de euros, valor que compara com 421 milhões em 2007, um esforço para as contas de mais 282 milhões. Deste total, 202 milhões ficaram a dever-se ao agravamento do preço do petróleo e apenas 62 milhões reflectiram o aumento do consumo.

Os prejuízos de 285 milhões ficaram abaixo das perdas de 320,6 milhões divulgada a semana passada pelo único accionista da companhia aérea, a holding estatal Parpública. O administrador financeiro da TAP explicou que esta diferença se deve ao facto de a Parpública ter incluído nas contas a compra de acções da Groundforce, "operação no valor de 31,6 milhões de euros, realizada já em Março deste ano. A Parpública tem um enquadramento diferente e entendeu que seria melhor considerar nas contas de 2008 um efeito (aquisição das acções da Groundforce) que a TAP só vai ter em 2009", justificou Michael Conolly.

Sobre a aquisição da Groundforce, o administrador da TAP salientou que "o investimento feito já foi recuperado" e que "a melhoria registada na operação da TAP supera o que foi gasto na aquisição das acções" da empresa de handling. O endividamento da TAP cresceu e a transportadora fechou o ano com um total de 1534 milhões de euros, contra 1206 milhões em 2007. Deste montante, 1270 milhões são atribuídos à TAP (contra os 1060 milhões em 2007), 144 milhões à PGA e 120 milhões à TAP Manutenção e Engenharia Brasil (ex-VEM).

Com a compra da VEM, que a TAP considera um investimento a médio prazo, a companhia assegura trabalhos a terceiros que não pode satisfazer nos 70 mil metros quadrados que dispõe na Portela. "Não temos condições de crescer no actual aeroporto de Lisboa", afirmou Fernando Pinto, referindo que o ano passado a companhia recusou fazer trabalhos de manutenção a "mais de 70 aviões de terceiros por falta de espaço".

Por causa da crise, a TAP suspendeu até Março um total de 2190 voos, número que deverá pular para cinco mil no final de Maio. "Vamos continuar, em termos pontuais, a fazer ajustes nos voos", acrescentou. Esta medida tem por objectivo ajustar a oferta à queda da procura por parte dos passageiros e reduzir os custos. A redução da oferta deverá "repercutir-se no segundo semestre".

O tráfego de passageiros da TAP caiu 7,1% nos três primeiros meses do ano. Contudo, os resultados ficaram cinco milhões de euros acima do orçamento. Fernando Pinto avisa, no entanto, que as notícias da gripe suína não são animadoras para o transporte aéreo. E, apesar da TAP não voar para o México, "está atento". A IATA já avisou que a epidemia irá ter um impacto negativo no tráfego aéreo, que caiu 11% até Março. O sector já tem prejuízos acumulados de 7,5 mil milhões de euros.

por LEONOR MATIAS, in DN-Bolsa

Sem comentários:

Enviar um comentário