sábado, 18 de abril de 2009

Amelia Earhart, e Sir Charles Kingsford Smith

Em tempos de navegação por GPS, ou do ADSB (sistema que usa o link de satélites para conectar aeronaves e controles de tráfego via internet), nunca é tarde para lembrar de quem desafiou os perigos para ampliar os limites da aviação. Vários pagaram com a vida, sendo o nome mais famoso o da americana Amelia Earhart, desaparecida, a 2 de Julho de 1937 quando voava no Pacífico. Nem ela, nem seu Lockheed 10E jamais foram encontrados. Outros, igualmente ousados, mereceram menos destaque: é o caso do pioneiro australiano Sir Charles Kingsford Smith, igualmente desaparecido no mar, em Andaman, em 1935, quando fazia o primeiro vôo transpacífico entre Austrália e Estados Unidos, na costa de Mianmar. Pelo menos no caso de Smith, o mistério pode acabra em breve: o cineasta australiano Damien Lay diz ter encontrado os restos do monoplano Lockheed Altair, baptizado Lady Southern Cross em uma região próxima de onde desapareceu.

A expedição aconteceu em Fevereiro, envolveu 63 mergulhadores e rastreamento por sonar. Segundo Lay – que em 2005 já havia encontrado um submarino japonês afundado depois de ser visto na baía de Sidney – a identificação foi possível pelo facto de o desenho singular da aeronave ter sido marcado claramente, dentro de uma camada de lama, em uma área remota da ilha Aye, na Baía de Bengala – só quatro Lockheed Altair foram fabricados e apenas o de Smith se encontrava por lá. A julgar pela clareza do desenho, presume-se que os restos de Sir Charles e do co-piloto Tommy Pethybridge ainda estejam a bordo. Até hoje, apenas um pedaço de um dos trens de aterragem dianteiros tinha sido encontrado, por pescadores de Burma, 18 meses depois do desaparecimento de Smith.

A pista para que o cineasta pudesse declarar ter 100% de certeza foi técnica. O sonar mostrou três estruturas triangulares equilaterais que seriam os suportes internos das asas. Pelo desenho, as peças, com 1,5 metro em cada lado, seriam da asa de estibordo. Lay diz que não são estruturas naturais e que o projecto do Altair realmente contém tais peças. O cineasta e sua equipe usaram imagens da fabricação da aeronave nos EUA para reforçar a expedição. O objectivo agora é o de resgatar o equipamento e os restos mortais da tripulação e levá-los para a Austrália. Quando desapareceram, Smith e o co-piloto faziam a perna Allahabad, Índia, a Cingapura. A última posição confirmada foi sobre Rangum, pouco depois de uma da madrugada.

É importante lembrar aqui que o controle de tráfego na época, sobretudo em regiões inóspitas, dependia de ondas de rádio com capacidade de propagação, mas de difícil recepção. O Lady Southern Cross já era um avião conhecido dos australianos, tendo feito um vôo de 34 horas e meia em Junho, entre o Havaí e as ilhas Fiji e depois para Brisbane, onde foi recebido por 25 mil pessoas. O próprio Sir Charles havia doado um Altair, com o mesmo nome, para um museu. O avião está no aeroporto de Brisbane. O original, descoberto agora, levava o número 1985 pintado nas asas e na cauda tinha o registo VH-USU.

Se resgatado o corpo de Sir Charles, restará o grande mistério sobre o desaparecimento de Amelia Earhart e do seu co-piloto, Fred Noonan. Há duas hipóteses: a queda no mar, perto das ilhas Howland, onde a profundidade é de 5.500 metros. Ou a mais confirmada, um pouso na então ilha Gardner (hoje Nikumaroro). Em 1940, um oficial britânico encontrou um esqueleto no local, a 350 milhas das Howland. Análises forenses em Fiji identificaram inicialmente os ossos como de um homem, mas posteriormente classificaram-nos, como pertencentes a uma mulher branca. Junto ao corpo, havia um sextante, um painel de alumínio, um vidro com o mesmo tamanho e curvatura do Electra, um salto de sapato com a numeração usada pela aviadora e um isqueiro zíper. Infelizmente, em tempos de DNA, nada se poderá fazer com os ossos, que desapareceram em Fiji.

By Marcelo Ambrósio, in www.jblog.com.br/slot.php

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